O deputado federal Beto Richa (PSDB-PR) destacou a importância da aprovação, pela Câmara, do Projeto de Lei PL 5791/19, que cria a Política Nacional de Cuidados. A proposta, aprovada na última terça-feira, 12, com voto favorável de Richa, visa garantir os direitos de quem precisa de cuidados permanentes e de quem os presta. A matéria segue agora para análise do Senado.
Beto Richa ressalta que uma pessoa impedida de trabalhar porque precisa cuidar de alguém deve ter a atividade reconhecida. “Essa pessoa precisa ter sua dignidade reconhecida e até de ajuda financeira para garantir sua sobrevivência, além de contar com serviços públicos que possam lhe auxiliar nessa função de cuidador. São milhares de casos que conhecemos de brasileiras e brasileiros que dedicam sua vida a cuidar de pessoas com deficiência, idosos e crianças. Esses cidadãos precisam contar com um olhar especial do Estado”, diz Richa
O projeto aprovado foca em crianças e adolescentes, com atenção especial à primeira infância; pessoas idosas e pessoas com deficiência que necessitem de assistência, apoio ou auxílio para executar as atividades básicas do cotidiano; e nos cuidadores, remunerados ou não.
Segundo o texto, o governo federal deverá fazer um plano nacional de cuidados que leve em conta pontos como assistência social, saúde, educação, mobilidade, previdência social, direitos humanos e políticas para as mulheres. O plano deverá tratar da garantia de direitos para aqueles que atuam de forma não remunerada cuidando de alguém. Poderá haver ainda iniciativas de formação e de qualificação de cuidadores não remunerados.
Corresponsabilização
Como a maior parte da carga de trabalho do cuidador não remunerado recai sobre as mulheres, o texto prevê a adoção de medidas para reduzir essa sobrecarga nas famílias, promovendo a corresponsabilização de outros familiares, principalmente os homens. Paralelamente, o plano poderá estimular a adoção, pelos setores público e privado, de medidas para compatibilizar o trabalho remunerado e as necessidades pessoais e familiares de um cuidador.
Estados e municípios
O texto aprovado prevê que a União buscará a adesão de estados e municípios ao atendimento dos direitos das pessoas que recebem e exercem cuidados. O governo federal também oferecerá assistência técnica na elaboração de planos por parte desses entes federados, atuando por meio de convênios na execução de projetos da área.
Objetivos
Entre os objetivos listados pelo projeto para a política nacional destacam-se: promover o acesso ao cuidado com qualidade para quem cuida e para quem é cuidado; promover, no setor público, ações que possibilitem a compatibilização entre o trabalho remunerado, as necessidades de cuidado e as responsabilidades familiares relacionadas ao cuidado; enfrentar a precarização e a exploração do trabalho de cuidadores remunerados; promover a mudança cultural relacionada à divisão sexual, racial e social do trabalho de cuidado.
Sobre o financiamento dessas iniciativas, o projeto prevê o uso de orçamento de órgãos e entidades da administração federal participantes do Plano Nacional de Cuidados; recursos de entes federados que aderiram; de doações e de outras fontes, nacionais ou internacionais.
Dados e estudos
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 16,4 bilhões de horas diárias são dedicadas ao trabalho de cuidado não remunerado. Essa realidade afeta tanto países emergentes quanto desenvolvidos, que enfrentam falta de políticas públicas adequadas.
No Brasil, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2022 (PNAD-C 2022) mostram que, em média, são dedicadas 17 horas semanais a afazeres domésticos e/ou ao cuidado de pessoas, sendo que as mulheres destinam quase o dobro do tempo dos homens a essas atividades.